domingo, 24 de junho de 2018

Cristão: liberdade e cidadania

O cristão tem liberdade para desobedecer autoridades civis (governo/estado)?
Numa entendimento pentecostal tem-se buscamos enfatizar que sobre o homem possuir o livre arbítrio, e assim a assessão de possuir responsabilidade pelos seus atos, em especial, na sua consciência na operação de suas ações.

A Bíblia informar em Gênesis 3, na queda do homem que o mesmo comeria do suor do seu rosto e a mulher seria sujeita ao homem e teria dores de parto, e ambos morreriam por causa do pecado. Percebe-se algumas implicações instituídas: o trabalho para a construção, a autoridade delegada, a morte pelo pecado (castigo pelo erro), e durante a história do Gênese se desenvolve todo um contexto sobre a relação de Deus e os homens.

Quando questionado Jesus sobre o pagamento de imposto, Jesus reponde: 

“Dê a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22.21).
Deixando clara diferenciação e independência de esferas, o que é obrigação religiosa e espiritual, e obrigação civil e terrena. Não podemos ter responsabilidade diante das coisas espirituais e deixar de lado as coisas terrenas e civis. (Lc 16.10-12).

Em Romanos 13 ensina que toda autoridade é instituída por Deus para o bem e para punir o transgressor. Não deve ser temida, mas respeitada e obedecida, que termos louvor das mesmas.
Em 1 Pedro diz 


“Tratem a todos com o devido respeito: amem os irmãos, temam a Deus e honrem o rei”.

Considerações de liberdade e responsabilidade





Portanto, temos algumas premissas para refletir nas nossas atividades civis:

  • Temos o livre arbítrio, logo temos a liberdade de pensamento, e assim, devemos pensar escrupulosamente e com responsabilidade naquilo que Deus nos direciona;
  • Somos responsáveis pelas nossas decisões em todo tempo, com consciência, e assim não podemos tomas atitudes sem pensar em como responder diante de Deus pelas nossas ações;
  • Deus nos ensina a administrar bem as riquezas mundanas e terrenas, e assim é um sinal de fidelidade, e assim também seremos fieis nas coisas espirituais;
  • Temos obedecer as autoridades e honrá-las e viver em tranquilidade e não ser omissos nas obrigações civis.

Considerações sobre o abuso de autoridades


Nada obstante a isso, devemos lembrar que a fonte de toda autoridade é o Senhor:

Provérbios 8.15 diz “Por mim reinam os reis e os príncipes decretam justiça”.
Daniel 2.47 diz “Não há dúvida de que o seu Deus é o Deus dos deuses, o Senhor dos reis [...]”.
Atos 4.19 diz “Julguem os senhores mesmos se é justo aos olhos de Deus obedecer aos senhores e não a Deus.”

Quando ocorre situações que autoridade induzem ou ordenam coisas de quaisquer natureza que vão contra a direção de Deus, tais como: blasfemar ou negar a Jesus como Senhor e Salvador, não permitir adorar, ou não permitir a expressão do senhorio de Jesus, a desobediência civil é permitida, pois está ferindo a autoridade de Deus na vida do crente.


Por isso, muito cristão foram mortos por imperadores romanos e outros perseguidos.

No geral, vivemos em um país livre, em que não podemos somente viver de forma responsável os direitos do reino do Céus, mas também o da terra. Buscar fazer o pedido do Pai Nosso: “Seja feito aqui na Terra como é nos Céus”! Quem faz isso somos nós por meio de atitudes, ações, responsabilidade e nos posicionando na sociedade em amor e santidade.

sábado, 23 de junho de 2018

A justiça social e o pensamento cristão pentecostal




Faço aqui algumas interpretações pessoais. Apesar do título. Acredito que muitos pentecostais, especialmente as primeiras gerações, são de origem de pessoas humildes financeiramente, escolarmente e socialmente. Neste sentido, quando receberam Jesus como seu Senhor e Salvador foram ainda mais excluídos com a convicção de viver para outro governo e governante, o Reino dos Céus e ao Rei Jesus Cristo.





Hoje, urge a desigualdade de renda, recursos materiais e acesso social em várias oportunidades, tais como: vagas em curso de ensino superior (graduação ou pós-graduação), educação, comércio, empresas, indústrias, ambientes sociais dado a alta cultura. Não só vale isso, muitas pesquisas revelam que ricos têm se tornado mais ricos e pobres mais pobres.

Um quadro social que a cultura-mundo desenvolve a passos largos a idolatria do hipercapitalismo (com seus supercapitalistas que são mais ricos que países), hipertecnologia (traz entretenimento mundial e unifica a nossa cultura e economia de massa), hiperindividualismo (estamos muitos individualistas, hedonistas e distantes das arenas públicas) e hiperconsumismo (a felicidade ligada às compras, bens e julgamos o valor espiritual e de missão de vida pelo consumo para preencher o vazio existencial) (LIPOVETSKY; SERROY, 2011). Sendo que podemos viver na igreja de forma hipócrita, louvando a Deus, mais sendo adorador do dinheiro, viciado nas tecnologias (celular, por exemplo), egoísta-hedonista no seu estilo de vida e, consumista (seu parâmetro de medida é o que tem, e precisa sempre ter mais). É duro, mais é a realidade em muitas congregações. “Muita aparência, muita sede por Deus, mas pouca vida com Deus”.

 


Muitas pautas mais antigas são levantada na égide da justiça social: preconceito a cor e raça (racismo), discriminação feminina (misoginia), ao estrangeiro (xenofobia), a dominação ao corpo de outro (escravidão e prostituição forçada). Outras pautas são mais recente: aborto pelo direito ao próprio corpo feminino (feminismo da terceira onda), LGBT (Lésbicas, Gay, Bissexuais, Travestis, Transsexuais) na homofobia (violência física) ou recentemente a “lgbtfobia”. 



Inicialmente, ao cristão ortodoxo, em especial pentecostal, que crer na Bíblia como norma de fé e obras, a ideia de justiça está relacionada a retribuição, ou dá o que é devido, adequação, restituição. Na doutrina da Salvação está estritamente relacionada a doutrina da Justificação. Pois no AT a lei de Moisés (Torá) informa que aquele que vive pela lei, será justificado por ela (Gálatas 3.12). Nesse sentido, a justificação de ser povo de Deus não foi por mérito ou capacidade, mas por eleição (Israel foi escolhido), e é nisso que no AT repete que a bênção, a prosperidade e a piedade é vivenciada pela graça de Deus.

É interessante como Deus usou lembrar por Isaías, Amós, Jeremias e Salmos para a negligência e o pecado contra o pobre, a viúva, o órfão e o estrangeiro - quarteto de cuidado (Deus se põe como o protetor). A justificativa é que Israel foi peregrino no Egito, oprimido e escravo (pobre), sem acolhimento e sem família (como viúva - mulher), sem protetor (como um órfão - criança/dependente) e sem terra própria e de outra cultura (estrangeiro). A lógica é como “vocês” viveram assim no Egito, não oprimam o necessitado próximo de vocês, o acolham como Eu os acolhi (salvei).






No NT semelhantemente segue a lógica do batismo do Mar Morto no AT, se morre para mundo e se vive para Deus, as vitória de Jesus é atribuída pela fé numa obra de transformação realizada pelo Espírito Santo. A justificação é porque Ele fez por nós, e recebemos pela fé a Sua obra (Efésio 2.8,9). Logo, não merecemos, mas pela graça somos transformados em glória em glória.

Nisso chama atenção no discurso de Jesus sobre as bem-aventuranças, especificamente sobre os “pobres de espírito”, pois deles é o Reino dos céus. O pobre de espírito não é pobre financeiro, social, saúde ou de talento “material”. A metáfora “pobre de espírito” é o necessitado que não tem mérito, capacidade e força de se sustentar sozinho e necessita, e se humilha, e buscar pelo seu capacitador, o Espírito Santo, a viver uma vida digna e piedoso, e por isso deles é Reino. É muito semelhante ao AT sua base de justificação.




Nesta acepção, é estranho ao cristão salvo pela graça de Deus negar e ignorar o pobre, a viúva, o órfão e o estrangeiro. Na sua volta ser incapaz de ajudar, se compadecer e doar. Por que Deus fez por ele (cristão), assim também faz por outros. Nesse sentido Tiago diz que a fé sem obras está morta.

Aqui, no sentido pessoal, a justiça é generosa, pela graça que recebi, também compartilho, pois não mereci, não tinha dignidade própria, era estrangeiro, era doente, estava preso/condenado, estava com sede/fome, estava nu… e Jesus me deu dignidade, recebi cidadania/família, fui curado/cuidado, foi liberto/redimido, fui saciado e fui coberto/protegido (Mateus 25).






Por isso, as pautas no qual sobre a cor e raça (racismo), discriminação feminina (misoginia), ao estrangeiro (xenofobia), a dominação ao corpo de outro (escravidão e prostituição forçada) são totalmente legítimas de serem apoiadas no âmbito comunitário, socialmente e nas esferas políticas. Não é necessariamente o governo que a Bíblia ordena, mas aqueles que Deus pôs próximo. Muitos esperam que o governo, líderes ou pessoas ricas o façam, mas não está escrito isso como prioridade, pois não é o governo sal e luz, mas o cristão.

Por outro lado, a Bíblia apresenta outras verdades: o mundo e tudo o que tem são de Deus (Salmos 24), a vida e toda criação foi criada como boa, contudo o pecado trouxe impacto (Gênesis 3). Mas são governadas pelas leis de Deus. Logo outras pautas na égide dos direitos humanos devem ser observadas com cuidado.

Primeiro, a ideia de igualdade a lei vem de base bíblica, pois todos foram criados debaixo das leis de Deus, e são iguais mediante a essas leis de Deus (Direito Natural). Assim, assassinar alguém que não seja por legítima defesa não está contemplado, um exemplo é o aborto por razões ideológicas e não de segurança a vida da mulher, pois o ser humano gestado é outra vida, não pertence a mulher, está na mulher.

Outro exemplo é o acolhimento a pessoas ligadas ao LGBT em práticas (secretas ou abertas). Devemos amar, ensinar e ter paciência para o crescimento e desenvolvimento da salvação, pois a imoralidade sexual é como qualquer outro pecado que exige amor. Mas obrigar a confessar essa prática como correta já extrapola o discurso bíblico, e não podemos deixar de confessar que pecado é pecado.

Neste tópico muito se ventila da construção cultural das instituições humanas e do gênero (masculino e feminino), e possui sua parcela de verdade. Mas não pode colonizar e abolir outras verdade, como a nossa estrutura biopsiquica, corpo biológico masculino é diferente do feminino, e a mentalidade ligado ao afeto (afeição e emoções) não possui base científica suficiente para fazer afirmações como tem feito em desconsiderar essa base biológica/física. Por outro lado, no âmbito democrático e cidadão é justo solicitar reconhecimento social e jurídico de patrimônio, herança e outras pauta na esfera da segurança física e econômica por serem seres humanos, com dignidade, direitos e deveres. Mas por outro lado, obrigar a ter associação com os mesmos já extrapolam outros direitos (Exemplo foi obrigar nos EUA a uma confeitaria a fazer um bolo de casamento homoafetivo judicialmente a um confeiteiro que não se prontificou por motivação de consciência religiosa, a justiça deu ganho de causa ao confeiteiro, mas nem sempre é assim).

Nestes caso acima, a questão de justiça social está demasiadamente ligado a questão da teoria do estado, civilização, teoria jurídica e de sociedade. Um reflexão interessante é feito por Carvalho (2005) usando como base o jurista Dooyeweerd e Chaplin para uma justiça social na perspectiva cristã. Contudo, acreditamos nem tudo que recebe a designação direitos humanos e justiça social possui legitimidade bíblica e capacidade de corrigir qualquer condições do mundo, pelo contrário, pode colaborar a formar outros por causar injustiças, ou seja, fazer o que diz que combate.



Para finalizar, a justiça generosa de Deus nos faz amar e cuidar daqueles que estão em fragilidade para viver uma nova vida e em Deus superar suas adversidade, mas não mantê-los dependentes, mas desenvolver a sua salvação (em todas as áreas da vida). Há outras desigualdades existentes permitidas por Deus no qual Ele chama ao arrependimento, e não permite que seja culturalmente alterado. Assim, sejamos humildes de espírito para receber de Deus a capacidade de viver amorosamente, e poder enriquecer a muitos em amor.

LIPOVETSKY, G; SERROY, J. A cultura-mundo: resposta a uma sociedade desorientada. São Paulo: Cia das Lestras, 2011.

CARVALHO, G. V. R. PODER POLÍTICO E JUSTIÇA SOCIAL NA FILOSOFIA REFORMACIONAL DE HERMAN DOOYEWEERD. Revista Eletrônica de Ética e Cidadania, v. 1, n. 1, p. 30–51, 2005. Disponível em: <http://www.mackenzie.com.br/fileadmin/Graduacao/EST/Publicacoes_-_artigos/carvalho_3.pdf>. Acesso em: 24 out. 2016.

sábado, 9 de junho de 2018

O assembleiano participa das atividades culturais (mundana)? (Parte 2)

E continua ...


Vemos que a referência é olhar para Deus, Sua vontade e Seus ensinamento para interagir e criar cultura; e, ter muito cuidado com a autorreferência (pensar que Deus só reage ao crente, um Deus autorreferente, a imagem egocêntrica do crente faz um Deus limitado).




Tomando esse cuidado, ou buscando pelo menos. O nosso ponto de partida a questão da cultura e o cristão vamos ter algumas considerações:

  • Quando falamos do cristão contra a cultura, e quando se desclassifica todas as práticas culturais fora da sua instituição, ocorre que o cristão se posiciona "mais puro" e em posição de destaque, e mais elevado dos que estão "impuros" pela cultura. Nos parece um procedimento "arrogante", pois o Senhor Jesus nos ensina simplesmente que quem se mantem em pé, que ore para que não caia (sujeito as mesmas paixões); ou mais, diz também que o senhor não é maior que o servo, pelo contrário, se ensina a limpar os pés dos outros (igualdade); e, o Ap. Paulo informa que somos salvos pela graça, e não vem da capacidade própria, pelo contrário, é dom de Deus (não há mérito próprio). Logo, muitas construções culturais por mais que possua sua face pecaminosa, não somos nós de natureza totalmente a versa, pois se dizermos que não temos pecado, O fazemos (fala de Jesus) mentiroso (1 Jo 1.10). Não é a moralidade que faz os produtos e práticas culturais de cristãos melhores, ou mais puros, ou mais santos. Mas nos parece que tem mais a haver a uma dedicação do coração em fazer para a glória de Deus. E quando se fala de glória, não temos parâmetros assertivos que não seja os frutos.
  • O cristão na cultura na sua ideia de tornar a Cristo o melhor da sociedade, poderá distorcer a mensagem (autentica) de Jesus quando diz que veio trazer a espada e não a paz em casa. Deus não negocia sua glória e nem adoração. Logo, há valores e práticas que entraram em conflito no mundo. É inevitável.
  • O cristão acima da cultura é um posicionamento com tendência de institucionalizar o relacionamento divino, e por fim confundir o aspecto institucional da igreja com o aspecto de ser o corpo de Cristo (místico/espiritual) (Koyziz, 2009). Foi o próprio Cristo que diz que se a nossa justiça (relacionamento baseado no amor) não exceder a justiça dos fariseus e saduceus (religiosos que possuem práticas aguerridas por obrigação religiosa) não se entraria no Reino dos Céus. Religião não é relacionamento com Deus, mas uma forma de organizar e estruturar como grupo social organizado, enquanto instituição, mas o nosso relacionamento com Deus e com o próximo não se pode fugir do aspecto do mistério (Cl 1.26; Ef 5.32).
  • o cristão e a cultura em paradoxo é uma situação infelizmente paralisante, pois não tomam os princípios que possa unificar as situações culturais e cristãs (necessariamente), mas se analisa no prisma ora da ira, ora da misericórdia, e a tendência conservadora tomará conta. É tímido e inautêntico para o amor, fica-se sempre em cima do muro pela dúvida.
  • o cristão como agente transformador da cultura faz parecer que os cristãos transformadores vão vencer o pecado na cultura e redimi-la (atributo só dado a Deus). Contudo, é aconselhável ponderar sobre o que está escrito em Apocalipse, o mundo vai ruir, a Babilônia vai cair. E Jesus declarou que não somos desse mundo, e por isso que Ele intercedeu por nós para nos livrar do mal. A transformação social é utópica ao cristão orientado biblicamente, contudo estimula a levantar sua a voz contra a injustiça e o pecado.
Nesse sentido devemos mudar o nosso foco de analisar a cultura. Quando maior for a instituição, mais diferenciada e mais integrada ao mundo criado por meio da abertura cultural será necessária para poder atuar no mundo. Logo, acredito que não há receita para nós. Contudo, vivemos numa nuvem cinzenta entre cultura e ação cristã em que Pimentel (2012) cita Mark Driscoll e, DeYoung (2012) sugere o envolvimento cristão baseado nos três “Rs” (Receber, Rejeitar e Redimir). Não fará análise macro, somente análise micro, ou circunstancial. Vejamos:
Receber: Há coisas na cultura que fazem parte da graça comum de Deus a todas as pessoas, as quais um cristão pode simplesmente receber. É por isso que, por exemplo, estou digitando em um Mac (Computador) e vou postar neste blog na internet sem ter que procurar um computador ou um formato de comunicação expressamente cristã.
Rejeitar: Há coisas na cultura que são pecaminosas e não benéficas. Um exemplo é a pornografia, que não tem valor redentor e deve ser rejeitada por um cristão.
Redimir: Há coisas na cultura que não são ruins em si mesmas, mas podem ser usadas de uma forma pecaminosa e, portanto, precisam ser redimidas pelo povo de Deus. Um exemplo que teve grande repercussão na mídia é o prazer sexual. Deus fez nossos corpos para, entre outros fins, o prazer sexual. E, embora muitos tenham pecado sexualmente, como cristãos, devemos resgatar este grande dom e todas as suas alegrias, no contexto do casamento.”
No caso específico de guerra cultural pela verdade, no sentido de buscarem desconstruir a visão cristã, ou necessitar tratar com paciência para uma missão cultural em amor, sugere-se três posições (PIMENTEL, 2012; DEYOUNG, 2012):
1. Sem Retirada: Diante de controvérsia e oposição, é sempre tentador recuar para fronteiras mais amistosas. Mas trabalhar pelo bem comum é parte de amar nosso próximo como a nós mesmos. O impulso pietista de simplesmente concentrar-se em ganhar os corações e as mentes não considera suficientemente o papel das instituições e a importância de dar voz à verdade na arena pública. Muito pelo contrário, o progressivo impulso de ficar calado por medo de invalidarmos nosso testemunho é uma estratégia equivocada de vencer o mundo deixando-o vencer. Ou isso ou uma tentativa insincera de esconder o fato de que eles já não possuem quaisquer padrões éticos.
2. Sem Retrocesso: Não importa a pressão, nós nunca devemos nos desviar da palavra de Deus para agradar os poderes do mundo (Romanos 12:1-2). Esse princípio não determina automaticamente o curso de ação em cada esfera, pois a política deve às vezes ser a arte de ceder. Mas, quanto aos nossos compromissos doutrinários, nossa pregação de púlpito e nossos valores comuns, nós não devemos ceder um centímetro sequer se aquele centímetro nos afasta da verdade da Escritura (João 10:35). Aquele que se casa com o espírito desta era torna-se um viúvo na próxima. A igreja não é construída sobre novidades teológicas, e as almas não são ganhas por ambiguidade sofisticada. Todo aquele que se envergonha de Cristo e suas palavras nesta geração adúltera e perversa, o Filho do Homem também se envergonhará dele quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos (Marcos 8:38).
3. Sem Revidar: Se isto é uma batalha, então os seguidores de Cristo devem ser um tipo diferente de exército. Mesmo quando nossas emoções estouram, nossa compaixão deve se aprofundar. Não há espaço para triunfalismo, cinismo e disputas para ver quem faz mais pontos. Devemos ser guerreiros alegres e esperançosos. Quando injuriados, não devemos injuriar ou ameaçar em troca, mas confiar-nos àquele que julga retamente (1 Pedro 2:23). Não devemos nos surpreender com o sofrimento (1 Pedro 4:12). Não devemos odiar quando somos odiados (Mateus 5:43-44). E quando descansarmos em paz à noite, que não seja porque todos os homens nos louvam ou porque a cultura reflete nossos valores, mas porque nossa consciência está limpa (1 Pedro 3:16). Na luta contra os principados e potestades, não devemos nunca nos afastar, nunca ceder, nunca desistir do amor.
Desta forma, ao pensar sobre santidade, também pensamos em ação na cultura no qual pode refletir para glória de Deus, ou para manutenção cultural. Talvez essa reflexão possa fazer pensar sobre o porquê que há tantos evangélicos e não há uma transformação na sociedade brasileira? Lógico que não é uma resposta simplista apontando aqui as posições do cristão e a cultura, pois há considerações de contexto local e nacional, condições, educação, organização eclesiástica e influência da cultura em que está imergido.
Gosto muito da metáfora que diz que a tradição (aqui como cultura) é um aquário no qual o peixe não percebe que não está no mar. Da mesma forma, creio eu, que por está na cultura ocidental (ou numa tradição de congregação) não percebemos da liberdade de imaginar uma vida liberta e abundante em Cristo para viver no local onde Deus nos chamou, ou enviará.


Que música cantar, que festa ir, qual site visitar, ou qual atividade cultural participar? É um tema digno de ser discutido na sua congregação tendo como princípio que a glória de Deus não se limita ao usos e costumes locais (de décadas passadas só por adotar), e que são mutáveis ao decorrer do tempo. Mais que tudo deve ser feito com ordem e decência.



Obras Citadas
Alves. L. M. (2016). Niebuhr: Cristo e Cultura. Fonte: Ensaios e Notas: https://ensaiosenotas.com/2016/05/27/niebuhr-cristo-e-cultura/

DeYoung, K. (2012). The Three R's of Christian Engagement in the Culture War. Fonte: The Gospel Coalition (TGC): https://www.thegospelcoalition.org/blogs/kevin-deyoung/the-three-rs-of-christian-engagement-in-the-culture-war/

Ferreira, F. (2013). Franklin Ferreira - O Cristão e a Cultura. Fonte: Voltemos ao Evangelho: http://voltemosaoevangelho.com/blog/2013/02/franklin-ferreira-o-cristao-e-a-cultura/

Koyzis D. (2009). Cristo, Cultura e Carson. Disponível em: tuporem.org.br/cristo-cultura-e-carson/

Morin, E. (2009). Cultura de Massas no século XX: Neurose. Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Niebuhr, H. (1967). Cristo e Cultura. ((Série encontro e diálogos Volume 3). Tradução de Jovelino P. Ramos., Ed.) Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra.

Padilla, C. R. (2014). Missão Integral: o reino de Deus e a igreja. Viçosa: Editora Ultimato.

O assembleiano participa das atividades culturais (mundana)? (Parte 1)

Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. - 1 Coríntios 10:31.
(Está é uma opinião pessoal em que não possui chancela denominacional).

Ouvir música que não é da igreja (dita mundana por uns, ou secular por outros), assistir novela, fazer o perfil e interagir em redes sociais, jogar futebol, participar/eleito a cargos eletivos e/ou políticos, fazer faculdade, ler romances e temas políticos, participar de coletivos sociais (feminismo, ou pró-vida), entre tantas coisas são cotidianas.


Essa pergunta é bastante capciosa pois faz uma diferença tácita entre o que é denominado mundano. Isso levanta duas dicotomias: a) mundano e santos; b) cultura mundana e cultura cristã.


Ante eu preciso informa que acredito que vivemos num período ímpar da história no qual as comunidades não vivem isoladas territorialmente e culturalmente como antes, mas temos nos unido por meio da tecnologia de comunicação ocidental, meios de transportes e o mercado (economia). Logo, a interação cultural hoje é muito mais real, contingente e inevitável hoje nos contextos urbanos e/ou contexto interligados seja pelo mercado (capitalismo), seja pelas relações culturais e/ou interesses missionários.


Logo, creio que a dicotomia inicialmente pronunciada pode ser em primeiro nível é cultural e depois suas práticas, ou seja, frutos ou expressões da cultura. Não há uma prática que não tenha uma crença, explícita ou implícita, no qual seja organizada por formas de pensamentos que utilizem símbolos, e sejam comunicados e/ou reproduzidas por grupo no qual faz sentindo essas práticas e significados. Por exemplo, o ato de entoar na congregação o hino da harpa nº 70, Porque Ele vive (primeira estrofe):


“Deus enviou, Seu Filho amado, Para morrer, em meu lugar, Na cruz morreu por meus pecados, Mas ressurgiu, E vivo com o Pai está”


O ato de entoar o hino é uma expressão de reconhecimento da ação de Deus, feito inicialmente em grupo em reunião (como o culto), inspirado nas Escrituras (mensagem, uso das palavras com sentido particular: Filho, cruz, ressurgiu, Pai), utilizado por irmãos participantes do movimento pentecostal (Assembleia de Deus).



Todavia, poderia se dizer que é uma cultura cristã, mas há elementos mais gerais que essas características estão incluídas. Por exemplo: usamos a língua portuguesa, a reunião ocorre com liberdade de culto e reunião, utilizando-se de recursos físicos e sociais. Então, a ideia de cultura pode ser incerta, ou inexato.


Neste sentido, a cultura pode ser visto de forma mais ampla. Consultando o pesquisador francês Edgar Morin, entende a cultura pode ser entendido como cultura no sentido de tradição clássica (religiosa ou humanista), há também a cultura específica de uma nação, e por fim há o que é entendida por cultura de grupo particular. Desta forma, uma possível compreensão poderia ser:


“A cultura constitui um complexo de normas, símbolos, mitos e imagens que penetram o indivíduo em sua intimidade, estruturam os instintos, orientam as emoções [...] realizam trocas mentais de projeção [...] personalidades míticas ou reais que encarnavam os valores [...] Uma cultura fornece ponto de apoio imaginários à vida prática, pontos de apoio práticos à vida imaginária; ela alimenta o ser semi-real, semi-imaginário, que cada um secreta no interior de si (sua alma), o ser semi-real, semi-imaginário que cada um secreta no exterior de si e no qual se envolve (sua personalidade)” (MORIN, 2009, p. 15).



Nesse sentido, as práticas do “mundo cristão” ou nessa ideia, na cultura ocidental poderia ser uma subcultura cristã. De toda forma, no encontro com outras crenças e práticas no bojo da vida ordinária as práticas e vida cristã é algo singular entre tantas, e que a Bíblia ordena a postura de santidade (1 Pe 1.16), ou lembra da história “O Peregrino” de John Bunyan, na caminhada para nova terra e a entrada pela porta estreita. É irônico que nesse conto infantil que segundo Pimentel (2012) os personagens “Obstinado, Flexível, o Pântano da Desconfiança, e o Sr. Sábio-segundo-o-mundo, tudo foi obstáculo na jornada do Cristão pela Porta Estreita”. Assim, não há uma fórmula mágica para pensar santidade, cultura e vida cristã.


Me chama atenção que o pastor Franklin Ferreira (2013) comentando sobre o trabalho de Niebuhr (1967) com o título “Cristo e a Cultura”, sendo que substitui a metáfora Cristo como sinônimo da igreja e das ações enquanto grupo social e material no mundo, por Cristão. Nesse sentido fica mais situado e personificado pessoalmente, mas a ideia de Cultura é quase que substancial e homogênea, diferente do que Morin propõe, mais válida para o propósito de comparação.




Para sintetizar a ideia de Niebuhr (1967) com Ferreira (2013) e  Alves (2016) para inserir as perspectivas abaixo. Mas é importante que para uma perspectiva ser bíblica, necessita contemplar o princípio de criação-queda-redenção divina em proporções admissíveis. (OBS: Parece mais acadêmico o discurso, mas é importante para ter parâmetro histórico).
a) o cristão contra a cultura - a lealdade e autoridade sobre o cristão seria exclusivamente a Cristo e a irmandade, e se criam estruturas alternativas para servir a Deus, e se impõe a definitiva recusa a qualquer aspecto cultural contraditório a interpretação bíblica ou institucional. Apresentando como portadores históricos dessa perspectiva no Didaquê, na Primeira Epístola de Clemente, e nos escritos de Tertuliano (c.160–c.225) e dos anabatistas do século XVI, como Michael Sattler (c.1490–1527). No Brasil é próprio de muitas congregações pequenas e independentes com teor separatista e fundamentalista evangélica. Sendo assim, aparentemente, há pouca perspectiva de redenção, ou a redenção somente para o futuro escatológico (na interpretação que põe que quando Jesus vier, depois do arrebatamento, no novo céu e nova terra, por exemplo).
b) o cristão na cultura - o cristão ver Cristo na sociedade e nas suas estruturas, não sendo dicotômico, pelo contrário, toda expressão é digna de absorção/assimilação. O Messias é visto como compatível para realização de suas aspirações, sonhos e esperanças. Aqui é compatível com os ensinos de gnósticos do século III, Abelardo de Paris (1079–1142) e dos teólogos liberais do século XIX refletem esta posição e também a igreja evangélica na Alemanha, por influência deste entendimento, trocou seu nome para Igreja do Reich e seus pregadores juraram obediência a Hitler, e a igreja americana estadunidense depois da independência. Um exemplo brasileiro seria a IURDI (Igreja Universal) no qual interage e assimila em todas as esferas do plano político, econômico e espiritual. Aqui parece que a queda do homem quase não tem impacto na vida e na cultura, por isso necessita de cuidado quem apoia essa perspectiva.
c) o cristão acima da cultura - entende o mandato cultural de Deus na criação, logo a cultura não é boa e nem ruim. A cultura é sustentada por Deus, e veem a harmonia (ou uma síntese) entre o cristão e a cultura como a melhor maneira de abordar o “problema”. Pode ser observada em Clemente de Alexandria (c.150–c.215) e Tomás de Aquino (1225–1274), que busca uma unidade entre o cristão e a cultura, onde toda a sociedade aparece hierarquizada. Logo, a igreja e sua mensagem institucionalizada condiciona culturalmente a sociedade. É nisso que Padilha (2016) diz que a América Latina é um continente batizado e não convertido. Por outro lado, há uma busca de influenciar o discurso secular por uma cosmovisão superior, um exemplo é o calvinismo da Mackenzie. Aparentemente a posição da criação é autônoma ao efeito da queda, e assim a cultura também, desta forma o esforço é de dominar a cultura.
d) o cristão e a cultura em paradoxo - nessa perspectiva há “dois reinos”, a igreja e a cultura, no qual o cristão é fiel ao Senhor e possui responsabilidade pela cultura. Logo, entra em paradoxo, pois há situações que a cultura está refletindo o pecado do homem que faz possui responsabilidade, mas não concordância. Um exemplo é quando uma mulher (cristã) sofre espancamento do marido (cristão) e vem a questão de denunciar, ou não, a polícia. Posição associada a Martinho Lutero (1483-1546) e Søren Kierkegaard (1813-1855). Típico do discurso que diz não ter nada haver com o “mundo” mas aceita uma participação discreta na vida social e como cidadão. Alves (2016) apontam aos membros da Congregação Cristã no Brasil e da Igreja Cristã Maranata estariam nessa tipologia, embora beirando ao “Cristo contra a cultura”. A queda afetou a cultura e suas consequências serão resolvidas no futuro escatológico.
e) o cristão como agente transformador da cultura - a visão de redimir a cultura, em que os elementos de criação e queda são considerados, todavia, o Criador por meio dos eleitos levam a cultura “transformada a vida humana para a glória de Deus” através da graça de Deus. Posição associada a Agostinho (354-430), João Calvino (1509-1564), John Wesley (1703-1791) e Abraham Kuyper (1837-1920). No Brasil está presente no movimento de Missão Integral e movimentos sociais com ativismo cristão transformador. Se enfatiza muito a redenção e a queda é pouco enfatizado em comparação às outras perspectivas.
Os assembleianos não estão perfeitamente categorizados em nenhuma dessas perspectivas devido ao tamanho (mundial ao local) da instituição e ser uma instituição multifacetada. Apesar de acreditar que no Brasil muitos estão ainda na perspectiva original da Assembleia de Deus da década de 50, ou seja, o cristão contra a cultura, é facilmente percebida.

E continua ...
Obras Citadas
Alves. L. M. (2016). Niebuhr: Cristo e Cultura. Fonte: Ensaios e Notas: https://ensaiosenotas.com/2016/05/27/niebuhr-cristo-e-cultura/

DeYoung, K. (2012). The Three R's of Christian Engagement in the Culture War. Fonte: The Gospel Coalition (TGC): https://www.thegospelcoalition.org/blogs/kevin-deyoung/the-three-rs-of-christian-engagement-in-the-culture-war/

Ferreira, F. (2013). Franklin Ferreira - O Cristão e a Cultura. Fonte: Voltemos ao Evangelho: http://voltemosaoevangelho.com/blog/2013/02/franklin-ferreira-o-cristao-e-a-cultura/

Morin, E. (2009). Cultura de Massas no século XX: Neurose. Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Niebuhr, H. (1967). Cristo e Cultura. ((Série encontro e diálogos Volume 3). Tradução de Jovelino P. Ramos., Ed.) Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra.

Padilla, C. R. (2014). Missão Integral: o reino de Deus e a igreja. Viçosa: Editora Ultimato.


Pimentel, V. (2012). Os 3 Rs do Envolvimento do Cristão com a Cultura. Fonte: Voltemos ao Evangelho: http://voltemosaoevangelho.com/blog/2012/09/os-3-rs-do-envolvimento-do-cristao-com-a-cultura/

sexta-feira, 8 de junho de 2018

A manipulação e a orientação política na igreja





“Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar o tributo a César, ou não” (Mateus 22.17).

A manipulação e orientação política na igreja possui uma diferença sutil e quase imperceptível. Pois, a política tem a haver como nos organizamos e gerenciamos recursos e ações no mundo. Muitas pessoas estão interessadas em desenvolver seus dons e talentos para servir aos outros, mas há aqueles que querem se aproveitar disso para seus interesses escusos. Nestes tempos, como nos tempos de Jesus, precisamos ter “prudência como as serpentes e simples como as pombas”.

Inicialmente, a manipulação está associada a levar alguém ou grupo a uma disposição prévia em que o manipulador conduz sem que os manipulados percebam, ou não tenham como discernir. A intenção é enganosa e há a crença que caso seja esclarecido as intenções e propósito da manipulação não será exitosa o processo de condução dos manipulados. Em Atos 8.9-11 fala de algo assim:
Um homem chamado Simão vinha praticando feitiçaria durante algum tempo naquela cidade, impressionando todo o povo de Samaria. Ele se dizia muito importante, e todo o povo, do mais simples ao mais rico, dava-lhe atenção e exclamava: "Este homem é o poder divino conhecido como Grande Poder". Eles o seguiam, pois ele os havia iludido com sua mágica durante muito tempo.

Nesse episódio interessante, Simão (o mágico) iludia a todos, do pequeno ao grande para promoção de sua imagem e faziam crer ser dirigido por Deus. Aqui, podemos inferir algumas características dos manipuladores: se auto promove (se preocupa mais com a opinião pública do que agradar a Deus), busca influência grandes e pequenos, faz pensar que o seu poder ou habilidade é atribuído a Deus (cria artificialmente as condições de aplicação), os mantinham sob o poder de iludir (manipular) por tempo indeterminado (sede de mais poder) até não ser capaz de resistir a verdade no poder de Deus.




O curioso é que a magia (mágica) promete coisas difíceis no qual pessoas comuns não têm acesso facilitado de forma rápidas em que receberam por uma contrapartida, por meio de pagamento, um presente, um favor, uma oferta, etc. Coisas que vemos muito na igreja em oferecer, por exemplo, um candidato prometer coisas incabíveis e mentirosas (normalmente sem nenhuma estratégia, conhecimento e apoio) por um cargo no poder executivo ou legislativo nas esferas municipal, estadual ou federal.

Não vamos nos enganar, coisas difíceis e valiosas vem por meio de muito trabalho e suor (Gn 3.19). Logo, pautas importantes para membros de uma igreja não são balcão de negócios. Não se iludam com os “Simãos” de quatro em quatro anos que diz ter muita poder e influência e que vai resolver o seu problema, todavia, mal conhece o seu bairro/cidade.

Por outro lado, a orientação está relacionado a exortação e a responsabilidade. Se expõem claramente preceitos, conceitos e fatos em relação a orientação bíblica para a tomada de posição por parte de quem ouve a orientação. A orientação não diz o que deve-se fazer necessariamente, contudo, se expõem o que não se deve fazer. Aqui, vemos a exortação de Paulo a Timóteo a falar da verdade: 

“Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina” (2 Timóteo 4.2).


Retomando o verso de Mt 22.17, Jesus respondeu:
Mas Jesus, percebendo a má intenção deles, perguntou: "Hipócritas! Por que vocês estão me pondo à prova?
Mostrem-me a moeda usada para pagar o imposto". Eles lhe mostraram um denário,
e ele lhes perguntou: "De quem é esta imagem e esta inscrição? "
"De César", responderam eles. E ele lhes disse: "Então, dêem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". (Mateus 22:18-21).



Jesus discerne a hipocrisia (falsidade, dissimulação) e faz uma demonstração da dura verdade para todo homem sobre a sua responsabilidade em analisar e buscar fazer a vontade de Deus na realidade em que vive. Ou seja, Dêem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

César representa o sistema político e mundano, no qual devemos pessoalmente sermos responsáveis pelas nossas decisões, pagamentos e direitos. Sem faltar com as ordenanças divinas de amor, justiça, respeito e adoração. Não podemos terceirizar a responsabilidade de para com ”César” e para com Deus. Ninguém deve pensar por mim, ou minha opinião está a venda caso alguém pague?

Reflitamos e ouçamos a voz de Deus para não aceitar a manipulação, pois Simão mesmo batizado e seguindo na Igreja ainda estava inclinado a ambição egoísta e ao dinheiro como aponta Pedro: 

Pereça com você o seu dinheiro! Você pensa que pode comprar o dom de Deus com dinheiro? [...] “pois vejo que você está cheio de amargura e preso pelo pecado". (Atos 8:20, 23).

A orientação política segue orientação bíblicas e a direção que Deus dá a nossa consciência. Estude a vida dos candidatos, vejam se são ficha limpa, veja suas pautas, análise com suas convicções, e principalmente, ore e peça direção de Deus. Caso alguém diga que pecamos por seguir a nossa consciência realmente esse alguém precisa do amor de Deus, e de nossa paciência.

Deixamos algumas sugestões sobre esse assunto neste link.



“E procurai a paz da cidade, para onde vos fiz transportar em cativeiro, e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz.” (Jeremias 29:7).

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

EDUCAÇÃO CRISTÃ E ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL: REFLEXÕES SOBRE DESAFIOS DO CONTEXTO CONTEMPORÂNEO

Resultado de imagem para educação cristãFonte: http://www.senna50.com.br/educacao-crista-importante/?i=1
EDUCAÇÃO CRISTÃ E ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL: REFLEXÕES SOBRE DESAFIOS DO CONTEXTO CONTEMPORÂNEO
Saulo Cezar Seiffert Santos
Abdias Martins Paiva

Resumo: A educação cristã não pode ser resumida a Escola Dominical (ED), contudo perder-se-ia muito se a mesma não for devidamente adaptada à realidade presente. Assim, à ED que teve seu inicio com trabalho social voltado as crianças, e no Brasil, o quadro se tornou distinto, o pentecostalismo na Assembléia de Deus direcionou sua ênfase aos adultos. Desta forma, busca-se discutir que mesmo com pouca idade deste movimento pentecostal, a ED necessita de bases epistemológicas e fundamento teológico consistente para enfrentar as demandas de uma sociedade pós-moderna. Neste ensaio, procurou-se fazer uma tessitura entre uma síntese da ED com as bases antropológicas na missão educativa para distinguir das vozes seculares, e do projeto iluminista, e posteriormente propor uma visão cristã de realidade a partir de Dooyeweerd para evitar o reducionismo secular na teoria dos aspectos modais da realidade, e por fim analisar os tipos de educação cristã no prisma formal, não formal e informal.
Palavras-chave: Escola Dominical; Educação Não Formal; Assembleia de Deus.

INTRODUÇÃO
A educação cristã é um campo de ação muito importante para a formação humana cristã, busca preparar o homem para dialogar com a sociedade as realidades contemporâneas segundo as revelações bíblicas, oferece suas contribuições à humanidade, desenvolvidas pela cultura, a idéia de amor cristão e a tolerância. Todavia, não se pode resumir a educação cristã à Escola Dominical, exemplo. Mas sem a mesma perderia uma influência importante no mundo ocidental. Num contexto pós-moderno é importante o posicionamento coerente e consistente para influenciar com riqueza e novidade, pois, é prático se entender que vivemos em uma época de impressões aceleradas/hipermodernas.
A Escola Bíblica Dominical, muitas vezes denominada de Escola Dominical, ou ED, é uma presença na educação cristã mundial, e também no Brasil. Contudo, o seu papel e o seu estudo organizado no campo de produção científica carecem de avanços significativos e estratégicos. Em parte, essa carência, pode-se falar sobre a necessidade de sustentação epistemológica de seu projeto e papel ligado as denominações religiosas enquanto posicionamento estratégico de influência cultural e contribuidora de produção de pensamento cristão/crítico.
Durante a história do pensamento doutrinário cristão, a questão do ensino foi sempre valorizada, como o ensino narrativo presente nas Escrituras Sagradas, a Bíblia Sagrada, por meio da estratégia epistolar. Quanto ao campo pedagógico cristão, bom refletir sobre os caminhos tomados a partir da reforma religiosa, e assim, enunciar o trabalho de Comenius com a Didactica Magna no século XVII, e depois no final do século XVIII com Raikes com a criação da Escola Dominical no Reino Unido e no Brasil inicia-se os trabalhos com Claudio Marra na década de 1830 pelo ministério metodista episcopal apoiado pela missão escocesa na década 1850 com o casal Kalley no Rio de Janeiro.
Pode-se destacar para Lemos6 que o movimento mundial de evangelização por meio da ED realizado por Wesley, e seu florescimento e influencia em várias denominações evangélicas.
Contudo, inicialmente, a educação cristã organizada na igreja católica possui um caráter formal, exemplo, nos seminários em que, em parte, ainda é perceptível o trabalho de Comenius, no qual com a reforma protestante ocorreu uma flexibilidade e descentralização deste modelo.
O resultado dessa descentralização foi à diversificação de modelos educativos. Isso de certa forma colaborou para o melhor apoio das famílias e comunidades ao decorrer da história ocidental depois da reforma, se adequando a cada contexto para a transmissão cultural.
Para Ramos7 a ED nasceu não da preocupação somente do ensinamento religioso bíblico, mas da educação para formação da criança visando o futuro, ao produzir nela competências e a capacidade de viver com dignidade e responder aos desafios do presente. A ED desejava contribuir com o enfrentamento entre as desigualdades sociais nas famílias no contexto econômico e cultural, em especial depois da reconfiguração social da revolução industrial e científica.
A história da ED brasileira possui o modelo presente nas igrejas de tradição histórica, e o surgimento do pentecostalismo clássico, como é o caso da Assembléia de Deus no Brasil, no início da década de 1910. Percebe-se que esta denominação cresceu rapidamente com a bandeira da pregação pentecostal e a leitura bíblica, e assim atraiu o proselitismo de igrejas de tradições históricas e católicas. De tal modo, na década de 1930, para Lemos, inicia o trabalho de publicação de folhetos de ensinamento doutrinário, como o Mensageiro da Paz.
Devido a esse contexto na Assembleia de Deus, a partir da década de 40 ocorreu pela Casa Publicadora das Assembléias de Deus, as publicações cada vez mais sistematizadas e conservadoras. Contudo, os materiais de leituras predominantemente eram escritos para o público adulto. Há também registro nesta época de materiais bíblicos produzidos para crianças. Para tanto, notou-se uma ED distinta das motivações iniciais em que buscavam as crianças, e pôr fim a família. Essa estratégia de fixação dos adultos continuou até a criação do departamento infantil na década de 70. Logo, o contexto da ED nas Assembléia de Deus nasce do movimento de leituras bíblicas, pregação e publicações teológicas pentecostais voltadas para os adultos, observando a idéia da formação teológica de tendência separatista do mundo e da cultura secular para vivificação da santidade.
Fora isso, a organização e estrutura educativa cristã brasileira precisam de reflexões teológicas continuas em forma de atualizar-se ao mundo contemporâneo. Simultaneamente ocorrem cursos nos seminários de formação de sacerdotes, escolas de confissão religiosa para o ensino básico e superior voltados para público de confissão religiosa ou não. Onde se fundamentam isso? Em qual visão podemos está inserido de formação humana cristã? Quais sãos as formas de “capilarizar” o processo educacional e de diálogo para situações contemporâneas? Buscamos fazer um ensaio como proposta inicial de problematização no meio pentecostal assembleiano.
Versa-se neste ensaio sobre tópicos de antropologia para educação cristã, cosmovisão, realidade, tipos de educação e desafios da ED no movimento pentecostal assembleiano.
COSMOVISÃO & EDUCAÇÃO
Pode-se adotar uma visão de mundo secular (quer dizer deste século). Ou seja, ignorar a tradição cristã, e os princípios bíblicos, epistemológicos e culturais já estabelecidos historicamente. Na verdade, é o usual esse comportamento de renúncia da mentalidade cristã pela secular.
Aqui adotamos uma visão reformada de realidade partindo da soberania de Deus e uma discussão filosófica que se aproxima da fenomenologia, e não se assenta num reducionismo do subjetivismo moderno e no materialismo científico.
Contudo, reconhece-se que no movimento pentecostal ocorreu uma visão de separação da realidade espiritual e secular. Assim, fazendo do homem “um ser” divido em duas formas de pensar11. Procura-se não ser simplista, e perceber a complexidade e a forma de ser encarada nas suas especificidades, e não buscar um abuso do escapismo escatológico, mas dialogar com a realidade e preparar não só a alma, mas o homem todo, como diz o Pacto de Lausanne: o Evangelho todo, para todo homem, para o homem todo.
Portanto(G. de Carvalho, 2017), todo processo educativo possui uma antropologia filosófica implícita. Isto quer dizer que há um projeto de homem e de sociedade, mesmo que não tenhamos em mente quais são estas implicações e se de fato se opera nesta direção.
Este projeto de homem e sociedade possui normalmente algumas questões que compõem uma teoria social: origem/fontes das regras sociais, nexo social (participantes desta sociedade) e finalidade social. Não se tem a pretensão de levantar uma discussão especializada, e nem tão pouco exaustiva, mas se apresenta as seguintes tensões:
No caso da origem das regras sociais está associada a levar ao homem a ser autônomo (tomar suas decisões com base na sua lei ou pensamento independente), conhecido no humanismo e no cientificismo que acredita que a razão e o homem são capazes por si mesmo aperfeiçoarem e pensar só e por si. No outro extremo há a heteronomia (tomar decisões com base numa lei diferente de mim, em que vem de fora, como na ideia de comunidade), comum nos projetos de utopia e engenharia social, em que é a nação ou partido, transferindo esperanças escatológicas religiosas para a política. A pergunta que se pode fazer é que educamos para autônomos ou heterônomos? Na perspectiva cristã bíblica nossa moral, verdade e identidade são transcendentes. Vem de fora, mas não de uma utopia política, vem da revelação da palavra de Deus, vem da palavra de Jesus Cristo. Logo é heteronômica cristocentrica.
Na segunda questão fala no nexo social, ou os participantes da sociedade, em que tem função social e motivo de interação com os outros. Em um extremo há a ideia, o entendido como ação livre e desimpedida pessoal no qual é somente restringida pelo Estado para evitar a violência do choque de interesses ocasionada pela liberdade de buscar o prazer (seja como for o que se entenda por prazer)18. Do outro lado há o projeto de homem de ideologias como normalmente coletivistas (como o marxismo clássico) em que o homem é diluído numa racionalidade/abstração ou visão, ou simplesmente numa imagem que busca3.  A pergunta nesta área é que nexo ou função há no homem? Para sua liberdade progressiva para o prazer ou para um projeto de imagem de homem? Uma resposta cristã é que o homem foi feito a imagem de Deus, e sua dignidade, humanidade, plenitude e liberdade são encontrados na responsabilidade da relação com o seu criador, e historicamente construída e materialmente dialogada com o mundo aí, no qual os problemas não se buscam modelos abstratos, sem significado ou propósito.
Por fim, a última ideia é a finalidade social. Para que este homem vive? No qual transita numa ideia de vontade de poder Nietzsche (vontade de potência) de fazer de acordo com o proposito próprio de se realizar em fazer sua vida na caminhada da vida pela própria forma de decidir, e superar o próprio homem (super-homem). E do lado oposto, a utopia e alguns a esperança escatológica, ou seja, um projeto espiritual desejado pelo demiurgo, ou pela ideologia comunitária ou do Estado18. Neste momento se questiona qual é a finalidade deste estudante, deste humano que formamos? Para si, ou para uma ideia de finalidade de projeto? Neste caso, ao cristão se identifica com a ideia da Cidade de Deus encontrada em Agostinho, por sua vez encontrada em Apocalipse como Nova Jerusalém, sendo capacidades humanas centradas em Deus, em relação à cidade dos homens, no qual pela sua capacidade busca alcançar o céu com o preço da negação do divino. O mandato cultural não constrói só o futuro, mas constrói o agora e o devir na presença de Deus.
Podemos ter muitas combinações de antropologias filosóficas, contudo há uma que nos apresenta uma visão funcionalista de homem determinada de fora para ele mesmo, e outra forma que ele escolhe. Mas não tem sentido em si, e este passa para cada um a angustia da liberdade.
Desta forma, constitui uma cosmovisão que busca do equilíbrio entre os pressupostos, compromissos e valores que desenvolvam uma vida decente e com sentido para não negligenciar nossa humanidade.
Essas questões refletem nas discussões de pós-modernidade e hipermodernidade que as pessoas tendem a serem ansiosas, angustiadas, apressadas, imediatistas, pragmáticas e por muitas vezes desconfiadas sobre verdades e reflexões que se apresentam na escola, como se não houvesse sentido de vida em aprender ou ser formado.
Não se pretende dizer qual é o caminho, ou se há um único caminho, pois isso depende de muitos fatores. Mas a ciência disso nos conduz nas decisões pedagógicas de fazer um homem a   imagem que pensamos ser o melhor, ou numa postura de fazer-se responsável pelas suas ações.
Logo, qual é a cosmovisão empregada na educação cristã? Uma cosmovisão que faz separação entre secular e o que é santo, em que entrega aos “secularistas” a reflexão intelectual educacional? Pensa-se “secularmente” no ensino cristão? Isto é coerente com a tradição de pensamento cristã? Não.
O que tem haver isso com a ED nesse contexto? A ED enquanto estratégia institucional nas congregações ou paróquias, não são triviais e locais de mera reprodução cultural. Mas é o local de reflexão dos pressupostos contemporâneos sobre a vida, a sociedade e a cultura com maior capilaridade de estruturar e construir formas de pensar com criticidade. A denominação pentecostal que desvaloriza a ED pode está fadada a ser esvaziada no sentido do longo prazo e ficar presa ao presenteísmo e não promover a experiência interior religiosa nas áreas de existência humana mais profunda.
As respostas na perspectiva cristã de projeto de homem, sociedade e instituição são profundas sobre qual a educação queremos. Ou seja, na moral, a verdade e a identidade sendo transcendente, formando o humano heterônomo em Deus. Para ir além, para o homem refletir a imagem de Deus, e sua dignidade, humanidade, plenitude e liberdade, e assim alcançar significado ou propósito. Desta forma, ao cristão se identifica com a ideia da Cidade de Deus ou Nova Jerusalém, relacionando suas capacidades humanas centradas em Deus no mandato cultural e da grande comissão.
Pela história pentecostal é possível compreender algumas dificuldades das denominações devido à idade de sua fundação, contudo, ao decorrer do tempo sofrem enfretamentos e problemas que outras denominações históricas já enfrentaram. E neste caso, o diálogo é importante para não perder sua herança e tradição, e também aprender a viver com a presença da pluralidade na realidade.
QUE REALIDADE?
Quais os pressupostos epistemológicos/filosóficos para dialogar com a realidade numa perspectiva cristã? Ou empregamos pressupostos epistemológicos seculares de forma acrítica? Uma forma de ver é por meio da teoria dos aspectos da realidade de Dooyerweed13.  Assim, podemos caminhar para aquilo que chamamos de realidade. Em função dos nossos compromissos possuímos uma visão de realidade cristã em que não se reduz no materialismo, relativismo e humanismo.
Normalmente a visão de ciências que podemos ter (possivelmente) é o cientificista. Em que o mundo e sua racionalidade conduzem ao materialismo (às vezes empiristas), que a natureza é submetida aos processos e técnicas da investigação e dominação científica por meio da técnica (ou tecnologia) no qual temos mais poder, mais conhecimento e mais progresso. Pois o progresso é entendido como acumulo de coisas, ou ter mais, em que os problemas serão resolvidos pela ciência, se ainda algum não foi, o será pelo desenvolvimento científico tudo será explicado e dominado(Chalmers, 1993; Chassot, 2006).
Por outro lado, podemos ver a realidade como um todo, e não por partes que são somadas(Chauí, 1995). Mas podemos perceber que determinados aspectos da realidade podem ser apreendidos, e por fim pensados(Silva, 2011). E estes não são reduzíveis aos outros, como a vida biológica não se reduzem ao físico-química, ou a vida cultural ser reduzida a lógica mecanicista.
De tal modo, o conhecimento vem pela percepção como um todo da nossa consciência, mas há elementos tácitos (subsidiários) em que não são nomináveis, ou perceptível, mas estão ativos no perceber, e outros elementos da consciência que estão explícitos (foco) em que fazemos sua inteligibilidade(Saiani, n.d.). Logo, o conhecimento é pessoal, pois uma consciência que direciona e constrói seu entendimento pelos elementos tácitos e explícitos(Beira, 2009). Podemos comparar com um iceberg, o visível é o conhecimento explícito, uma pequena parte, mas submerso está maior parte, em que se compara com o conhecimento tácito que subsidia o conhecimento pessoal(L. Teixeira, 2011).
Para entender esse entendimento de conceber a realidade podemos usar de analogia a luz branca num prisma em que separa vários espectros luminosos não percebidos anteriormente, mas depois é possível observa-los. No caso a luz branca é a realidade sendo percebida em uma totalidade, mas o prisma (a consciência) apreender a mesma, e somente depois revelam-se na consciência os vários aspectos da realidade, ou o seu modo de ser em várias formas diferentes (Figura 1).
Fíg. 01: Analogia da apreensão da realidade como pela luz em um prisma.
Assim, esta realidade possui aspectos pré-teóricos na sua consciência (compromissos e pressupostos) e formam a capacidade de perceber os aspectos diferentes em seus modos de ser (ou modalidades)(Dooyeweerd, 2015). A ideia de consciência tem a ver com o conceito de ser-no-mundo de Heidegger em que não esgota o ser no ente, mas em cada novo movimento de consciência é possível perceber o ser em nova forma (Saiani, n.d.).
Uma forma de perceber os aspectos da realidade pode ter um ponto de início em quaisquer pressupostos ou hipóteses, pois daí os movimentos de consciência na apreensão da realidade pode pensar e construir seu entendimento teórico. No caso, adotamos pelo sentido ligado a diferença entre as esferas de modalidade (ou de modo de se apresentar) do mais simples ao mais complexo, em que cada aspecto modal possui referência a modalidade anterior, mas não pode ser reduzível aos aspectos de nível inferior e nem superior. Veja na tabela 1 abaixo de modalidade.
Tabela 01: Esferas modais, sentidos bases e área do conhecimento relacionado. (DOOYEWEERD, 2015)(Dooyeweerd, 2015).
Esferas modais
Sentidos
Ciências
15
Segurança
Certeza-Crença
Fiduciário-fé
14
Ética
Alteridade/amor
Ética
13
Jurídico
Retribuição
Direito/Política
12
Econômico
Parcimônia
Economia
11
Social
Relações sociais
Sociologia
10
Semiótica
Significação
Semiótica
9
Estética
Harmonia
Artes
8
Cultural (Histórico)
Poder/controle formativo
História
7
Lógica
Distinção racional – analise
Lógica
6
Psíquica
Sensações/Emoções
Psicologia
5
Biótico
Vida/vitalidade
Biologia
4
Física
Matéria/Energia
Física/Química
3
Cinemática
Movimento
Cinética
2
Espacial
Extensão
Geometria
1
Numérica
Quantidade
Matemática

Esse esforço se deve a não cair no cientificismo e outros ismos que reduzem a realidade e não valorizam e dão a devida autonomia de pensamento em cada aspecto para pensar a realidade14(G. V. R. de Carvalho, 2010). Vejamos um exemplo de analisar um objeto de forma ampla na Figura 02.
Fig. 02: Análise do pé de feijão.
O pé de feijão pode ser visto em vários aspectos. Individualmente alcança até o nível biótico, mas se for relacionar ao homem em processo de capsulamento podem ser percebido todas as modalidades. No caso, separamos somente nove aspectos. Um feijão é visto no aspecto numérico, espacial, cinemático, físico, biótico, lógico, semiótico, cultural e ético em que pode ser analisado em ser um pé, possui um tamanho e porte, possui uma velocidade de crescimento, um desenvolvimento biológico de reproduzir, produzir espigas por plantio, possuir um sentido de alimento, associado com história como o João e o pé de feijão e por fim pode-se compartilhar o feijão com o próximo. Não se esgota um pé de feijão em sua análise.
Num segundo exemplo podemos observa a água na natureza na figura 03.
Fig. 03: Análise da água na natureza.
A água em si pode ir até o nível físico de aspecto modal, mas a água na natureza em relação aos efeitos do homem é um capsulamento. Em outros aspectos modais, podemos perceber um rio com muitas garrafas, espaço natural grande ocupado uma superfície de garrafas, reduz a luminosidade na água, ocupa lugar da biodiversidade, evidenciando a poluição na natureza pelo consumismo e incomodando para necessidade de preservação. Esta percepção é ainda mais abrangente suas possibilidades de reflexão.
Desta forma, mostra-se que para educar para pensar cristãmente/criticamente e refletir no ser das coisas é complexo, e não é só da escola formal. Mais com vários braços com apoio da sociedade com a educação formal, educação não formal, educação informal e aprendizagem ao longo de toda vida(Bendrath, 2014). Se enganam quem pensa que só se forma quem vai à escola e tem um diploma, a formação é continua e com compromissos. Caso contrário, a mente é secular, e os compromissos fiduciários não ocuparam espaços e formas de expressões efetivas.
Para uma educação cristã precisa-se estudar a realidade nos seus aspectos modais, e não correr o erro de reduzir a realidade de um único aspecto todos os outros. Por exemplo, reduzir os aspectos da vida biológica ao fisicalismo (comum essa ocorrência nas ciências naturais), ou reduzir os aspectos fiduciário aos históricos (frequente nas ciências sociais). Na comunidade da fé também pode reduzir toda a realidade a leitura fiduciária de mundo (como interpretações literais bíblicas em qualquer passagem). Todavia, busca-se refletir e ter uma consciência cristã/crítica para dialogar com o mundo nos seus diversos aspectos modais. Por exemplo, qual a resposta e a reflexão cristã no campo da arte, do direito e da economia? Muitos podem dizer que são áreas dominadas por cosmovisão secular, e precisam-se desenvolver uma cosmovisão cristã e desenvolve-las cristãmente.
Logo, nos estudos formais as investigações precisam e necessitam respeitar as fronteiras de cada modalidade, e assim nos estudos não formais e informais recebem a contribuição dos estudos formais para a reflexão e compreensão da realidade devido a sua capilaridade educativa.
EDUCAÇÃO FORMAL, NÃO FORMAL E INFORMAL
O desafio do ensino bíblico no contexto contemporâneo possui muitas formas de capilaridades para alcançar vários públicos. Mesmo que a sociedade (pós) moderna possua especialização do saber, instituições de filtro e competências que de certa forma legitimam o saber e também impedem a influência de outros. Há mais espaços para se refletir e pensar sobre os preceitos bíblicos e religiosos. Alguns intelectuais, como Deleuze, acreditavam que neste período contemporâneo a religião sobressairia devido às incertezas e o fracasso do projeto iluminista de homem autônomo, crítico e racional.
E como resposta a essa necessidade encontram-se a ED nas igrejas, em horários diversificados, e também em locais diferentes. Mas normalmente são iniciativas de pessoas das denominações que dirigem esse trabalho educativo. No qual não é necessariamente certificado, tão pouco ocorre rigidez que exclui as pessoas. Essas atividades podem ser chamadas de educação não formais. Contribuições e distinções entre os tipos de educação (tabela 2).              
Tabela 02: Diferença entre formal, não formal e informal (ESHACH, 2007)(Eshach, 2007).
Formal
Não formal
Informal
Geralmente na escola
Em instituição fora da escola
Em qualquer lugar
Pode ser dominante
Normalmente aceito
Aceito
Estruturado
Estruturado
Não estruturado
Normalmente disposto
Normalmente disposto
Espontâneo
Motivação é tipicamente mais extrínseca
Motivação é tipicamente externa, mas é tipicamente mais intrínseca
Motivação é intrínseca, normalmente
Compulsório
Normalmente voluntário
Voluntário
Orientado pelo professor
Pode ser orientado pelo guia ou professor
Normalmente, se auto conduz
Aprendizado é avaliado
Normalmente não o aprendizado não é avaliado
Aprendizado não é avaliado
Sequencial
Tipicamente não sequencial
Não sequencial

Assim, a Educação Formal é na escola, formal, estruturado, certificadora, possui carga horária e regras definida em currículo, conteúdos sequenciados, obrigatória, com professor e o aluno é avaliado. Um exemplo são os seminários teológicos. Mas também qualquer escola de ensino básico ou superior, sendo confessional, ou não.
Em que diferencia da Educação Não Formal que pode ser fora da escola, voluntaria, dada por guia ou não e sem necessidade de sequencialidade pela escola, ocorrem em Igrejas e pequenos grupos. É possível considerar aqui a presença das Escolas Dominicais.
A educação informal não é estruturada, ocorre naturalmente nos ambientes em que convivem, por isso não se compara rendimentos, pois não possui objetivos estruturados. Sempre ocorre uma ênfase no formal, mas hoje se busca a ampliação naquilo que a escola é limitada. A vida cotidiana na comunidade eclesiástica traz muitas aprendizagens que não são sistematizadas, e possuem muito valor e na livre adesão.
É importante destacar a tabela de Eshach, pois a educação não é só escolar. Há uma onda de valorização da educação informal, enquanto movimento de formação familiar, comunitária e de associação, e como atividades virtual com a expansão da internet e dos aparelhos eletrônicos. Essa realidade junto à educação não formal tem ressignificado o professor na educação escolar o seu papel formador, de conduzir a pesquisa, a investigação, ao desenvolvimento do pensar criticamente e do saber-fazer. Abandonando como diz Chassot a o ideal de professor informador, que presta informação e a repetição dos conteúdos(Chassot, 2006).
Nos EUA por exemplo a consulta de informações consultados na internet aumentou de 10% para 87% em dez anos, mas outras formas mais tradicionais reduziram, como família e amigos para adultos(Stocklmayer, Rennie, & Gilbert, 2010a). Veja na tabela 03.
Tabela 03: Fonte de informações científicas para adultos (grifo nosso)(Stocklmayer, Rennie, & Gilbert, 2010b).
Fonte de informação
Ano 2000 (%)
Ano 2009 (%)
Internet
10
87
Televisão
74
67
Livros e revistas (não-escolar relacionada)
76
63
Família e amigos
55
45
Museus de ciência, jardins zoológicos, aquários
65
41
'No trabalho'
57
37
Os cursos da escola
68
34
Fitas de rádio e educacionais
31
25
Club de Hobby ou grupo
Sem resposta
12
                                      Fonte: Stocklmayer, Rennie e Gilbert (2010).
Essa tendência mostra que a internet é uma excelente forma de alcanças diversos públicos, com também atividades da ED, podendo ser chamada de espaços (ou ciberespaço) não formal
educativo que potencialmente pode contribuir para a formação religiosa e moral.
As atividades de ED virtuais ainda são pouco pesquisadas. Mas percebe uma gradativa expansão em diversificação de programações com uso de canais diversificado, como o YouTube. Assim pode-se identificar esse fenômeno como de educação informal, pois vai do interesse dos usuários acessarem os conteúdos e continuar acompanhando as lições semanais aos domingos.
CONCLUSÃO
A ED possui uma história que inicia com o trabalho social com crianças no contexto europeu de teologia reformada em que no contexto pentecostal brasileiro, como na Assembleia de Deus, foi deslocado para formação de adultos na década de 40 do século passado. Esse perfil foi parcialmente equilibrado com a inclusão da formação infantil a partir da década de 70. Contudo, no contexto atual se passa com muitos desafios na consolidação institucional frente aos problemas contemporâneos pós-modernos e hipermodernos.
A ideia de educação cristã não pode ser resumida em ED, mas como cosmovisão e um projeto de homem e sociedade fundamentado epistemologicamente e filosoficamente com aparato bíblico e na revelação, caso contrário será sequestrado pelo pensamento secular, em que provou com muitos fracassos não conseguir substituir a religião com o projeto iluminista e moderno.
Uma sugestão de pensar educação cristã é um cerne heteronômico cristocentrico de projeto de homem, sociedade e instituição. Ou seja, na moral, a verdade e a identidade sendo transcendente em Deus. Para ir além, para o homem refletir a imagem de Deus, e sua dignidade, humanidade, plenitude e liberdade, e assim alcançar significado ou propósito. Consoante ao fato que ao cristão se identifica com a ideia da Cidade de Deus ou Nova Jerusalém, relacionando suas capacidades humanas centradas em Deus no mandato cultural e da grande comissão.
A realidade não é materialista e nem utópica em ideologias comunitárias, mas centrada na percepção da realidade nas modalidades criadas por Deus em ver um objeto em vários aspectos que não são reduzíveis. Mas precisam ser estudados e analisados no seu sentido e na sua lei/sentido.
Entende-se que a educação cristã é formal, não formal e informal. Sendo que a capilaridade das informações tem alcançado o ensino não formal, como a Escola Dominical, e na informal, como atividades ligadas à internet com o livre acesso e voluntariedade de usuários/seguidores.
O projeto de educação cristã precisa ser discutido não pulverizadamente, mas de forma sistemática e progressiva buscando produzir satisfação aos que se interessam pelo conhecimento de Deus.


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